Apresentação de peça teatral baseada no livro
O UMBIGO DO REI,
de Márcio Thamos e Ricardo Girotto
(Escrituras Editora/Coleção Escritinha).
Este trabalho foi desenvolvido por 29 alunos do 2o ano do ciclo 1
(8-9 anos), sob a supervisão da Profa Maria Cristina Pereira Leite.
Local: Escola Municipal Senador Teotônio Vilela
São Bernardo do Campo/SP
Data: 13 de dezembro de 2006

Ilustrador do Diário lança livro na Bienal

A história já começa interessante na vida real: dois primos que cresceram juntos brincavam de fazer livros. Um nasceu para desenhar; outro, para escrever. Aos 10 anos criavam seus primeiros livrinhos. Décadas depois o ilustrador Ricardo Girotto, 39 anos, e o escritor Márcio Thamos, 38, lançam na quinta na 19ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo o infantil O Umbigo do Rei (Escrituras, 48 págs., R$ 16). “É um sonho de infância realizado”, diz o desenhista.
Esse é o primeiro livro de Thamos. Girotto é velho conhecido dos leitores do Diário, pois há 12 anos agrega leveza e bom humor ao Diarinho, o suplemento infantil do jornal. Juntos, eles contam uma história que critica a desigualdade social e dá um puxão de orelha nos ricos insensíveis ao sofrimento das camadas mais pobres da população.
Desafio – Mas como abordar para crianças assuntos tão pesados sem tornar o discurso triste ou chato? A saída encontrada pela dupla foi personificar o egoísta na figura de um rei bonachão, que só se importa com o próprio umbigo.
Tudo se complica quando o monarca “perde” o tal umbigo e sai bravíssimo pelo reino interrogando os primeiros suspeitos: os súditos, é claro. Ao se misturar aos comuns, ele se diverte quando percebe que os estômagos do populacho “dão risada”. O “ronc ronc” das barrigas, na verdade, é fome, algo de que ele nunca tinha ouvido falar. A partir daí as coisas caminham para um final mais que feliz, justo. Engraçado é ver que ao se tornar politicamente correto, o rei glutão divide a riqueza e acaba ganhando um corpinho esbelto e, surpresa, o precioso umbigo reaparece.
O livro tem sido divulgado em escolas da região desde novembro passado. Foi adotado para uso didático em escolas da rede Pueri Domus da região e em particulares de Araraquara (SP), cidade onde Thamos leciona. Girotto começou como ilustrador do jornal Diário do Povo, em Campinas, em 1987. Desde 1989 faz ilustrações para publicações infantis (em 1997 foi premiado com o troféu HQ Mix pela Coleção Castelo Rá-tim-bum, da Cia. das Letrinhas). Além de ilustrar o suplemento infantil do Diário, cria desenhos para todas as editorias. Thamos conclui doutorado sobre Virgilio, poeta latino do qual também está traduzindo poemas. Antes de assumir a cadeira de professor universitário na Unesp, liderava uma banda de rock profissional.
Agenda – Quinta, na Bienal, os autores cumprem a seguinte programação: chat no site da Bienal sobre literatura infantil, às 15h; encontro com crianças no estande da Escrituras (ruas c/d, entre as avenidas 1 e 2); e contação da história do livro, às 17h, no amplo espaço dedicado às atividades infantis.

Melina Dias
Diário do Grande ABC • Quarta-feira, 15 de março de 2006

Luís Augusto Zakaib
Araraquara - "O Imparcial" • Sábado, 12 de outubro de 2005
Girotto e o umbigo do rei

Desenhista do Diário lança livro ilustrado por ele com texto do primo, Thamos

Não olhar só para o próprio umbigo e deixar de viver a vida apenas dentro de um castelo encantado são duas das idéias narradas pelo escritor Márcio Thamos e pelo ilustrador Ricardo Girotto, do Diário, primos e amigos de infância. Em O Umbigo do Rei (Escrituras, 48 págs.), é a procura do monarca pelo próprio umbigo perdido que dá mote para a abordagem de conhecer-se a si mesmo e aos outros e viver experiências de vida. Tratar um tema a princípio abstrato de maneira concreta é procedimento básico em literatura.
O livro é o primeiro de Thamos, 38 anos, professor de latim da Unesp de Araraquara. Girotto, 39, ilustrou cerca de 100 livros infantis, didáticos e paradidáticos para diversas editoras. Juntos, publicam pela primeira vez. O lançamento é hoje em Santo André, às 15h, na Livraria Siciliano do Shopping ABC. Thamos contará a mesma história em outro contexto, e Girotto dará às crianças um desenho do reizinho para elas colorirem. O cronograma de lançamentos vai até novembro em escolas de Santo André, São Caetano e São Paulo.
O rei não está nu no livro, apenas com a barriga de fora. Não se trata do poder desnudado como podem sugerir as CPIs e os processos de cassação de deputados, nem se trata de um rei malvado, que maltrata os súditos. Ele apenas vivia olhando para o próprio umbigo. É a partir dessa abstração – tornada concreta no traço simples e solto de Girotto, o umbigo como uma espiral semelhante a um número seis aberto – que Thamos desenvolve sua literatura para crianças, já que não concorda com o termo “literatura infantil”.
“Literatura para crianças também pode ser um eufemismo, talvez pejorativo. Literatura é literatura. A criança deve ser respeitada enquanto leitor, sem ser tratada de maneira infantil”, afirma. Publicar por publicar não é com ele. “Tem muita coisa de mercado que não é muito boa, que não pode ser considerado literatura. Tem de ser inteligente, sensível, com fundamento artístico e verdadeiro, com linguagem e essência daquilo que chamamos literatura”, diz.

Barriga de fora – De volta ao livro, o rei parte de seu castelo pelo reino em busca de seu umbigo. Nessa jornada, ele conhece, pela primeira vez, seus súditos e suas terras. Percebe a pobreza e a miséria de sua gente. Decide que é hora de parar de pensar no próprio umbigo e fazer alguma coisa pelo povo. O rei não está nu, mas mudou de atitude a tempo. O rei do livro descobriu coisas importantes nesse processo.
Thamos e Girotto perderam várias vezes o umbigo. “É fundamental perder o umbigo, não ficar parado. Esse processo pode ser meio dolorido, mas no fim a gente encontra ele de novo. Se não fica tudo do mesmo jeito”, explica Thamos. O autor nasceu em Guarulhos e hoje vive em Araraquara. O ilustrador nasceu em Araraquara e hoje vive em Santo André. Costumavam se encontrar em visitas de parentes, ou durante o período em que as famílias moraram em São Carlos. Nesses encontros, brincavam de desenhar e criar personagens. “Começamos a fazer isso desde moleques, com 10 anos. Isso nos deu essa determinação. Era só uma brincadeira de criança, mas não ficou só na brincadeira”, conta Girotto.
Girotto começou como ilustrador do jornal Diário do Povo, em Campinas, em 1987, e desde 1989 faz ilustrações para publicações infantis (em 1997 foi premiado com o troféu HQ Mix pela Coleção Castelo Rá-tim-bum, da Cia. das Letrinhas). Há 12 anos ilustra o Diarinho, suplemento infantil do Diário, além de criar desenhos ocasionais para todas as editorias. Thamos conclui doutorado sobre Virgilio, poeta latino do qual também está traduzindo poemas. Antes de assumir a cadeira de professor universitário, liderava uma banda de rock profissional, a Suburbana, onde atuava como vocalista e parceiro do guitarrista Sérgio Yazbek, um dos compositores e músico de apoio do Cidade Negra.
Girotto e Thamos têm juntos uma história não publicada, Uma História Verdadeira. “Tínhamos 14 anos e fizemos reminiscências das brincadeiras de infância”, diz Girotto. Uma das tramas, lembra Thamos, conta a idéia que os dois acalentavam de publicar um livro juntos. “Era uma fantasia de criança. Pode-se dizer que nós a realizamos”, conclui.

Alessandro Soares
Diário do Grande ABC • Sábado, 17 de setembro de 2005






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