O narigão
Paulo Netho
ilustração: Girotto

Cadê o meu nariz que tava aqui?
Cadê? Quem viu?
Tava aqui, bem no meio do meu rosto - um narigão
assim -, um que absorvia todo o oxigênio do planeta
e protegia a minha testa contra o duro
das portas e das paredes.
Cadê?
Esse narizinho aqui não é meu, não!
O meu é um narigão, o qual o meu dedo costuma
entrar e sair quando bem quiser.
Com esse narizinho, mal consigo respirar.
Não vem que não tem!
Quero já, de volta, o meu narigão, agora!
Por favor, será que alguém pode me ajudar?

FIM
Texto publicado no livro "Confissões de um louco" (Ciranda Cultural).




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